FICHA TÉCNICA

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Projeto Cidade Parque do Piçarrão

O córrego, cujo leito total possui aproximadamente 22 km de extensão, apresenta boas condições ambientais, por conta da Estação de Tratamento de Esgoto Piçarrão, inaugurada em 2007, no bairro Parque Santa Bárbara; além da interceptação de esgoto feita através de redes coletoras, coletores tronco, interceptadores, emissários e estações elevatórias. Tais condições, levaram a proposta de um parque linear às margens do Córrego do Piçarrão, que apresenta largura suficiente para comportar sua infraestrutura, tais como passeio, equipamentos de lazer, iluminação pública e ciclovia; possibilitando assim uma relação entre o homem e o meio ambiente.

É importante ressaltar que, apesar das ótimas qualidades do córrego, foi constatado que atualmente sua nascente se encontra canalizada sob ocupações irregulares, localizadas no Bairro Vila Georgina. Desta forma, o "Projeto de Reurbanização da Vila Georgina", visa a descanalização da nascente do córrego e a realocação dos moradores, trazendo uma melhoria de vida a estes.

CAMPINAS​

Imagem: Córrego do Piçarrão. Fonte: acervo pessoal.
Imagem: Córrego do Piçarrão. Fonte: acervo pessoal.

O Córrego do Piçarrão

Localizado no Município de Campinas, na região Sul da cidade, ao lado do Centro, o Córrego do Piçarrão foi o foco para o projeto da reurbanização da área contida entre a Rodovia Anhanguera e a Linha Férrea da Cia. Paulista de Estradas de Ferro.

A área abrange sete quilômetros do leito do córrego, desde sua nascente até o ponto onde o mesmo cruza com a Rodovia Anhanguera.

EQUIPE: Amanda Alves, Beatriz Arouca, Carolina Moscon, Gabriela Corrêa,

               Isabela Pecchio, Júlia Bochat, Lucas Duarte e Rafael Pianelli.

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As Diretrizes

O Plano Urbano

O Plano Urbano

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A principal diretriz do projeto é o Parque Linear ao longo do Córrego do Piçarrão e seus afluentes, por isso propõe-se que sua mata ciliar, ainda existente ao longo de grande parte de seu curso, seja preservada, cuidada e restaurada; criando um espaço verde, aberto e de uso coletivo, cuja qualidade será apropriada pela população. Sendo assim, busca-se com o plano urbano, vitalizar a várzea deste córrego e propagar essa área de intervenção para os bairros do entorno. Encara-se então o Piçarrão como um elemento integrador e não mais como uma barreira.
Outro quesito analisado é a falta de conexão, tanto entre os bairros da área, que é cortado por diversas vias importantes, quanto do tecido urbano desta com o centro da cidade, devido ao grande terreno ocupado pelo antigo pátio ferroviário (local conhecido como pátio da Fepasa ou Estação Cultura) e o leito ferroviário em sí. Além da barreira da ferrovia, a presença da Av. Lix da Cunha prejudica ainda mais a conexão norte-sul da cidade. Assim, uma segunda diretriz é a busca por essa conectividade em relação aos bairros, e destes com o Parque Linear e o centro de Campinas através da mudança de trajeto da Av. Lix da Cunha e da requalificação da Fepasa. Esta última, quando requalificada, além de deixar de ser uma barreira para os pedestres e veículos, terá seu pátio modificado para poder abrigar novas formas de uso, como equipamentos culturais e uma nova estação ferroviária para o trem regional.

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Levando em consideração a proposta da criação do Parque Linear às margens do Córrego do Piçarrão, foi realizada uma setorização da área a partir do mesmo. O córrego representa uma extensão de aproximadamente sete quilômetros no recorte de estudo, tendo sua morfologia urbana variada ao longo de seu curso. Essas diferentes situações adjacentes a este eixo, foram considerados fatores importantes para o estudo do Parque Linear. Foram levadas em conta características como: seu entorno, sua largura, a larggura do curso d'água e a presença de equipamentos relevantes próximos ao parque.
SETOR 1: Setor que contempla a nascente do Córrego. Bairros do entorno com caráter residencial, onde grande parte do córrego está canalizado, tendo potencial para descanalização e constituição de áreas de lazer para cidade.
A - Reconstituição e preservação da nascente do Piçarrão;
B - Potencial de habitação e assistência social;
C - Potencial implantação de áreas de lazer, esportiva e permanência;
D - Alargamento do parque para associar equipamentos públicos existentes no entorno.

SETOR 2: Bairros do entorno com caráter residencial unifamiliar e multifamiliar, parque mais consolidado, presença de equipamentos de lazer próximos ao eixo do parque, além de um afluente do Córrego.
A - Desdobramento do parque pelo afluente do Córrego; Preservação da nascente di afluente; Associação público/privada de preservação e acesso ao parque e curso d'água;
B - Mudança de zoneamento previsto para região - obrigatoriedade de uso misto próximo ao parque; Alargamento do parque linear;
C - Associação público/privada de preservação e acesso ao parque e curso d'água; Preservação da nascente do afluente;
D - Alargamento do parque para associação com o espaço verde público Bosque dos Guarantãs;
E - Alargamento do parque para incluir equipamentos esportivos públicos do entorno; Alteração do sistema viário para permitir alargamento.

SETOR 4: Presença de bens históricos tombados, os curtumes Cantúsio e Firmino Costa, próximos ao leito do córrego com a característica de implantação da época, não realizando recuos das construções para com as ruas ou o próprio curso d'água. Bairros do entorno com caráter residencial unifamiliar, com focos de adensamento de edifícios multifamiliares. Presença de dois afluentes do córrego em glebas dentro do tecido urbano consolidado, passíveis de alargamento do parque.
A - Demolição dos edifícios não tombados e degradados para ampliação do parque e intervenção de projeto arquitetônico; Proposta de diálogo entre usos públicos e privados voltados para o parque e restauro dos edifícios tombados;
B - Preservação da nascente do afluente; Mudança de zoneamento previsto para área - obrigatoriedade de uso misto e parque público;
C - Preservação da nascente do afluente; Parque em terreno de domínio público com potencial de implantação de grandes equipamentos públicos para a cidade; Travessias conectando bairros.
D - Implantação do parque com fluidez além da Anhanguera seguindo o curso do Córrego do Piçarrão.

SETOR 3: Está incluído neste setor uma conexão com Pátio Ferroviário da Fepasa, importante patrimônio histórico da cidade e grande barreira de conexão Centro-Sul. Trecho com a presença de importantes avenidas como Prestes Maia e Amoreiras, passando por viadutos por cima do córrego e Parque Linear. Bairros do entorno com caráter institucional e comercial, afetando a largura atual da calha reservada para o córrego, chegando até sua canalização em um dos segmentos. Identificação de uma quadra de domínio público às margens do córrego, passível de alargamento do Parque.
A - Fluidez do parque sob viaduto com implantação de Faixa Exclusiva e Ônibus na Av. Prestes Maia com parada de ônibus voltada para o parque;
B - Potencial de área pública voltada para área industrial em transformação, bem como para os comércios locais da região;
C - Fluidez do parque sob viaduto com implantação do Corredor de Ônibus, na Av. das Amoreiras com parada voltada para o parque;
D - Alargamento do parque para incluir equipamentos da quadra de domínio; Alteração no sistema viário para inclusão de quadra;
E - Descanalização do Córrego; Faixa mais estreita do parque destinada a conexão de grandes equipamentos;

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Pátio Ferroviário

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Tendo em vista a ferrovia como uma cicatriz urbana, que por muitos séculos interrompeu o fluxo Norte-Sul na cidade de Campinas, teve-se como diretriz o rebaixamento da ferrovia, possibilitando tal conexão. Ainda visando a conexão no sentido Norte-Sul da ferrovia, as vias General Osório e Campos Sales tiveram seu sentido original alterado, possibilitando a sua conexão ao sul com a via Armando Bueno. Visando a melhoria da relação entre o centro com os bairros ao sul da ferrovia, foram feitas desapropriações de 17 habitações e 1 galpão, totalizando a relocação de 62 pessoas. Tal desapropriação possibilitou o alargamento da Rua Armados Bueno e sua conexão direta com a Av. Sylvio Môro.
Associado ao rebaixamento da via férrea, está a implantação do trem regional, de alta e média velocidade, ligando as regiões metropolitanas de Campinas a Sorocaba, Jundiaí e São Paulo, sendo exclusivamente de pessoas. Esta proposta tem como objetivo a utilização de um novo meio de transporte, além do rodoviário, sendo mais eficiente no transporte de grande fluxo em escala regional.
Sendo assim, com o rebaxamento da ferrovia e a implantação do trem regional, haverá um aumento de fluxo, sendo necessária a revitalização do pátio para que o mesmo possa se reintegrar no tecido urbano como um todo. Atualmente o pátio ferroviário encontra-se abandonado e com grande parte dos seu edifícios sem uso.
Além da barreira da ferrovia, a presença da Av. Lix da Cunha prejudica ainda mais a conexão Norte-Sul da cidade. A via apresenta grande fluxo e se caracteriza como via expressa, conectando o centro até a Rodovia Anhanguera. Ao passar pelo centro a avenida separa o patrimônio tombado da Fepasa da cidade, se comportando como barreira. Sendo necessária a mudança de seu trajeto em benefício da fluidez entre bairros ao Norte da via e bairros ao Sul da via.
As intervenções propostas na Fepasa têm como objetico melhorar a conexão Norte-Sul da cidade, que há muitos anos, segrega Campinas. Com as alterações propostas, a cidade ganha muito em questão de mobilidade e fluidez, não apenas visando o automóvel, mas também os pedestres e o trem.

SETOR 3: Está incluído neste setor uma conexão com Pátio Ferroviário da Fepasa, importante patrimônio histórico da cidade e grande barreira de conexão Centro-Sul. Trecho com a presença de importantes avenidas como Prestes Maia e Amoreiras, passando por viadutos por cima do córrego e Parque Linear. Bairros do entorno com caráter institucional e comercial, afetando a largura atual da calha reservada para o córrego, chegando até sua canalização em um dos segmentos. Identificação de uma quadra de domínio público às margens do córrego, passível de alargamento do Parque.
A - Fluidez do parque sob viaduto com implantação de Faixa Exclusiva e Ônibus na Av. Prestes Maia com parada de ônibus voltada para o parque;
B - Potencial de área pública voltada para área industrial em transformação, bem como para os comércios locais da região;
C - Fluidez do parque sob viaduto com implantação do Corredor de Ônibus, na Av. das Amoreiras com parada voltada para o parque;
D - Alargamento do parque para incluir equipamentos da quadra de domínio; Alteração no sistema viário para inclusão de quadra;
E - Descanalização do Córrego; Faixa mais estreita do parque destinada a conexão de grandes equipamentos;

Vila Georgina

A área de intervenção 2, contida no Bairro Vila Georgina, é a área da nascente do Córrego do Piçarrão, que atualmente está canalizada. Assim, propões-se sua recuperação a partir de sua descanalização e proteção, através de um parque, beneficiando não somente o meio ambiente, como também a população que usufruirá dele.
Porém, a área, que é uma área de ZEIS (Zonas Especiais de Interesse Social) do Município de Campinas, é ocupada por habitações precárias e irregulares, onde muitas se encontram sobre a nascente canalizada. Dessa maneira, para efetivar a proposta de recuperação, e pensando no bem-estar dos moradores da área, 300 famílias e uma Escola de Samba serão realocadas para as áreas remanescentes, vinculadas ao caminho verde junto ao Córrego do Piçarrão.
 No parque, propõe-se praças de encontro e atividades de lazer, além de estações de trabalho para novas oportunidades de comércio e serviço, e onde os comércios removidos poderiam ser realocados. Estrutura-se também, pontos de conexão com o bairro através de pontes que transpões o córrego, e há a proposta de uma ciclovia ao longo do caminho verde e margens do córrego, permitindo uma integração longitudinal urbana ao longo de toda área de intervenção. Para a sub-sede da Escola de Smba da Estopim, que se encontrava na área de desocupação, foi proposto um espaço onde, além das atividades já existentes na escola, ocorrerão diversas atividades sociais, voltadas à cultura do samba.

Responsável pelo projeto: Amanda Alves.

Intervenção 1:

Intervenção 2:

ANO: 2018

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Quadra pública

Intervenção 3:

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